Você está sendo vigiado na internet


Os ´numerati´ seguem seus passos na web e podem conhecer você muito mais do que seus familiares e amigos

Já pensou na quantidade de informação pessoal que você gera em um único dia online? Uma busca no Google, alguns cliques num site de Comércio Eletrônico, arquivos baixados, e-mails recebidos e respondidos — sem falar nos recados para amigos em redes sociais… Se você pensa que esses seus rastros no mundo virtual passam despercebidos, está completamente enganado. Enquanto você está online, um grupo de profissionais está trabalhando não só para coletar suas informações — essa é a parte mais fácil, com os cookies (arquivos que monitoram a navegação) injetados em seu PC —, mas para analisar a montanha de dados gerada por cada internauta em todo o mundo. Esse grupo pesquisadores especializados já tem nome, são os ‘‘numerati’’.

Engenheiros, matemáticos, antropólogos, etc, formam um grupo de elite de pesquisadores que se dedicam a transformar os dados brutos colhidos da internet em informação útil para identificar padrões de comportamento humano, até criar um modelo virtual de cada usuário e consumidor. Essa informação bem lapidada por fórmulas matemáticas tem o poder de prever tendências de atitude do usuário, seus gostos e até seu temperamento.

Quem identificou e deu nome a esses mineradores de dados que vasculham nossa vida virtual foi o jornalista americano Stephen Baker, autor do livro ‘‘Numerati’’, recém-lançado em português pela editora Arx . ‘‘Conheça os numerati. Eles já conhecem você’’, é o subtítulo da obra, que dá a incômoda idéia de que somos vigiados sem termos conhecimento disso. Segundo Baker, já são muitas as empresas que empregam os numerati — Google, Yahoo!, Microsoft e IBM estão entre as mais conhecidas.

Por mês, essas empresas coletam em média 2.500 detalhes sobre cada um de seus usuários. Esses dados podem ser armazenados, cruzados e exaustivamente analisados em busca de informações que políticos, profissionais de marketing e do comércio ou instituições podem usar para tornar as suas campanhas mais eficazes. As empresas garantem que seguem uma política que protege a privacidade dos seus usuários. Em geral, suas políticas (disponíveis nos links dos rodapés de seus sites) admitem que reúnem e armazenam informações sobre os usuários, mas que eles não são identificados. O Google, por exemplo, detalha sua política no endereço www.google.com/privacy.html.

Aplicações

Atualmente, o uso dessa informação estratégica de um determinado público-alvo é mais comum na publicidade. De posse dessas informações, o anunciante pode abordar seu consumidor em potencial com uma mensagem que toque exatamente seus gostos, anseios e, por que não dizer, suas vulnerabilidades.

Tudo isso pode ser aproveitado com o uso de cookies e outros recursos. Na prática, é como se o consumidor, ao entrar numa loja, fosse avistado por um vendedor que já sabe de onde ele vem (sites visitados anteriormente) e o que ele quer (detalhes de produtos pesquisados online). Mas não é só isso o que os seus cliques podem dizer de você.

O poder dos numerati em conhecer seus segredos depende de quanta informação você entrega ‘‘de bandeja’’ na internet. Por isso, as grandes empresas ponto-com fazem de tudo, criam diversos serviços gratuitos, para que, seja lá o que fizermos online, nossos cliques passem sempre por elas. O escritor Stephen Baker cita o exemplo do Gmail, webmail do Google que dá mais de 7 GB de armazenamento e incentiva os usuários a não apagar suas mensagens. Uma prova sutil de como esse serviço tira proveito das mensagens trocadas pelos usuários é que o site apresenta Links Patrocinados atrelados aos assuntos dos e-mails.

O caso do Google é emblemático em relação à quantidade e à diversidade de informação que uma empresa pode reunir de um usuário. A empresa, que começou com um ‘‘simples’’ mecanismo de busca, detém hoje informações não só do que você procura na internet. Ela sabe quem são seus amigos (via Orkut), em quais projetos você está trabalhando (Google Docs), quais são suas leituras prediletas (Google Reader), o que você assiste (YouTube), os arquivos que estão no seu HD (Google Desktop), por onde você circula em sua cidade (Google Maps), quais são seus compromissos da semana (Google Calendar) e quais tipos de propaganda mais chamam sua atenção (Google AdSense).

Recentemente, a empresa fechou ainda mais esse ‘‘cerco’’ sobre a vida do usuário ao lançar o Google Latitude. Através do celular, esse serviço é capaz de indicar a posição geográfica do usuário. Agora, além de conhecer detalhes da sua vida, o Google sabe onde você está.

FIQUE POR DENTRO

Cookies ficam no PC por 31 anos

Os cookies são arquivos gerados pelos sites acessados pelos internautas e que monitoram sua navegação. Esses pequenos arquivos ficam armazenados no próprio computador do usuário, sem que ele saiba disso. A maioria dos cookies são inofensivos, chegando até mesmo a facilitar a vida do usuário, como nos casos em que armazenam informações para que o internauta não precise repetir alguns dados, ao preencher cadastro, por exemplo, quando voltar a uma determinada página. Mas o fato de ter e manter arquivos gravados silenciosamente em seu computador para monitorá-lo sem seu conhecimento incomoda muitos usuários. No caso dos cookies do Google, eles podem ficar no PC por até 31 anos. Isso se o usuário não deletar. Os novos programas de navegação oferecem opção de eliminar os cookies do computador no menu de ´Ferramentas´.

Fonte: Diário do Nordeste

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